Tradicionalmente o beija-mão era uma solenidade que consistia na norma de conduta formal do acto de beijar a mão de um soberano por respeito ou reverência, constituindo também uma oportunidade para formular determinados pedidos. Diferentes culturas mantiveram esta tradição ao longo dos tempos.
Actualmente ainda é usado como forma de cumprimentar soberanos e altos dignatários (Papa e cardeais) da igreja sendo, neste último caso, beijado o anel eclesiástico.

Na época medieval, provavelmente com origem num cerimonial espanhol, o beija-mão passou a ser também um costume cortês, uma forma respeitosa de um homem cumprimentar uma senhora.

Sendo a forma mais elegante de se cumprimentar uma senhora, obedece a determinadas regras.
Trata-se de uma forma de cumprimento que não deve ser usada em ambiente profissional.
Com excepção de camarotes de teatros, aeroportos e gares ferroviárias, o beija-mão é impróprio para locais públicos. Também não deve ser feito a céu aberto embora haja alguma tolerância em locais muito privados como os jardins de casas particulares. Não se usa este cumprimento sobre uma mesa de refeição ou quando existam objectos a interferir.

Destina-se a senhoras casadas podendo, no entanto, ser feito também a senhoras solteiras de certa idade e estatuto.
Tradicionalmente a iniciativa era da senhora que estendia a mão demonstrando que pretendia que lhe beijassem a mão.
Actualmente a iniciativa é do homem podendo, no entanto, a senhora mostrar disponibilidade para este cumprimento elevando a mão ligeiramente, mas de forma a poder alterar para aperto de mão no caso de o homem não corresponder à intenção.


O homem de pés juntos e inclinando-se ligeiramente sem perder o contacto visual, segura a mão da senhora colocando a sua mão por baixo com a palma em contacto com a palma da mão da senhora, eleva-a e aproxima o dorso da mão dos seus lábios, sem, no entanto, lhe tocar.
Outra forma de o fazer é colocar a sua mão perpendicularmente à mão da senhora de forma a que os seus dedos fiquem por trás dos dedos da senhora e pousar o polegar por cima destes.
Curva-se ligeiramente sem perder o contacto visual e eleva a mão da senhora simulando um beijo na zona de articulação dos dedos com o dorso da mão, sem flexionar o punho.
A outra mão deve estar estendida ao lado corpo ou colocada nas costas.
O beija-mão a uma senhora com quem se tem alguma intimidade pode ser feito de forma semelhante, mas segurando com ambas as mãos as duas mãos da senhora.

À chegada a uma sala privada onde se encontram diversas senhoras, este cumprimento é feito apenas à dona da casa.
Às restantes senhoras faz-se uma inclinação de cabeça. Mais tarde, estando a ser apresentado ou encontrando senhoras conhecidas pode então fazer-se este cumprimento.
Embora não se deva beijar uma mão enluvada, a senhora pode manter a luva quando se encontre no exterior ou quando usar luvas compridas de cerimónia.
Noutras situações, se a senhora tiver a mão enluvada o homem apenas faz a menção, levantando ligeiramente a mão da senhora.
Se uma senhora pretende que lhe prestem este cumprimento então deve retirar a luva da mão direita.

Ao contrário do que alguns apregoam, o beija-mão não caiu em desuso. Continua a ser usado, mas apenas por quem sabe e em meios restritos, meios esses em que ninguém pretende exibir-se muito menos a par dos “novos colunáveis” que desfilam pelas “Galas” e algumas revistas sem noção dos momentos de humor que proporcionam.

A elegância não tem época e nunca passa de moda!

Manuel Pereira de Melo