Uma das vantagens de quem viaja é a possibilidade de contactar com culturas muito diferentes da nossa. A diversidade manifesta-se de muitas formas e uma das mais evidentes diz respeito às formas de comunicação e à sua interpretação.

No Sri Lanka aprendi que o movimento de concordância ou “sim” é feito virando a cabeça para os lados. Naturalmente o movimento de discordância ou “não” é feito com o movimento que usamos normalmente para concordar. Isto acontece também na Bulgária, Turquia e algumas regiões do Japão, da Grécia, da Itália e do Irão.

Aconselho a quem pretenda visitar estas regiões a preparar-se realizando antecipadamente algumas sessões de treino em casa pois garanto que não é nada fácil em conversa com os naturais, reagir com os movimentos contrários àqueles a que fomos habituados.

Quando visitei a India, via muita gente a abanar a cabeça fazendo-me pensar que se tratava de uma alta incidência de Parkinson.  Afinal aquele movimento com um ou mais movimentos rápidos tombando a cabeça para os lados e mantendo os ombros parados, dependendo do contexto, pode significar “sim”, “não” ou “entendo”. Pode também ser usado como forma de reconhecer alguém ou de encorajar alguém que está a falar.

Em inglês “head bobble” ou “head wobble”, faz também lembrar os “bobble head dolls”, bonecos abana-cabeça que algumas pessoas colocavam nos carros.  

Lembro-me bem dos tempos em que os meus pais me erguiam as sobrancelhas. Tratava-se de um sério sinal de que estariam em profunda discordância com o rumo dos “meus acontecimentos”.

Nas Filipinas os pais que quiserem advertir os filhos têm que recorrer a outros meios pois naquele país da Ásia, ergue-se as sobrancelhas em sinal de concordância.

Ao contrário do que acontece no ocidente, na Ásia o sorriso tem frequentemente conotação negativa.

A diversidade cultural é muito interessante mas pode causar uma grande confusão.

Manuel Pereira de Melo