A minha primeira vez… #3

… Em low cost.

Há uns dias atrás tive de ir a Lisboa a uma reunião para acertar detalhes de uma formação que irei prestar a um grupo hoteleiro.

Esta reunião estava marcada para o início da manhã e sendo a única razão da minha deslocação a Lisboa, decidi ir de avião, voltar à hora de almoço, aproveitar a tarde para trabalhar e fazer assim a minha estreia nos vôos low cost.

Às seis da manhã, no controlo de segurança do aeroporto do Porto estava instalada a confusão devido à multidão que se preparava para viajar nos inúmeros vôos de companhias aéreas de baixo custo.

Ainda com alguns hábitos dos tempos em que era um frequent flyer, e viajava com alguma tranquilidade, fiquei um pouco atordoado com tudo aquilo.

Na zona de embarque as filas eram intermináveis. Nunca compreendi este fenómeno. O que leva as pessoas a formarem e aguardarem em longas filas quando podem estar confortavelmente sentadas aguardando que o processo de embarque decorra serenamente?

Durante o vôo, como é habitual, o comandante dirigiu-se aos passageiros e em determinado momento, em tom de alerta para o correcto acondicionamento da bagagem de mão nos compartimentos próprios, usa a seguinte expressão “para que não caiam e façam doi doi na cabecinha”. A princípio fiquei atónito mas logo de seguida pensei que a intenção do comandante só poderia ser a melhor: fazer-nos reviver os tempos da meninice!

Num outro momento uma das hospedeiras dirigiu-se a um jovem casal que viajava na minha frente e que discretamente trocavam alguns gestos de carinho dizendo-lhes que tinham que parar porque havia crianças no avião. Perante a incredulidade do casal a hospedeira apressou-se a dizer que estava a brincar.

A minha estreia nas low cost veio desmistificar tudo o que tinha criado na minha mente sobre estas companhias: o preço dos bilhetes é realmente demasiado baixo para vôos que incluem números de humor e paródia.

Manuel Pereira de Melo